Cucina in prosa

Pesquisadora lança projeto de estudos e experiências gastronômicas em parceria com Chefs

Encontros abordam a gastronomia como parte das relações humanas e o impacto emocional da comida. Depois da teoria, participantes experienciam o conteúdo aprendido em jantares e degustações.

 

A gastronomia de hoje não é mais a mesma de anos atrás. Principalmente em status, afinal, Chefs viraram celebridades e cozinhar virou hobby pra muita gente. Mas o que leva pessoas a valorizarem tanto o ato de comer? Ou ainda, porque muitos não conseguem permitir-se o prazer de degustar um ingrediente ou alimento? Essas são apenas algumas das perguntas que a pesquisadora Betina Mariante Cardoso pretende responder nos encontros que irá ministrar em Porto Alegre. Cucina in Prosa – Centro de estudos e experiências em enogastronomia é o projeto encabeçado pela médica, que aborda a relação entre os seres humanos e o ato de cozinhar e comer.

Apesar de parecer óbvio, o prazer pela comida é algo que nem todos se permitem. A importância dos cinco sentidos quando se faz uma refeição, o sentimento ao saborear e perceber os gostos, a comensalidade, a memória afetiva e outros tantos temas são abordados em ciclos de estudos que misturam o lúdico e o teórico, passando ainda pela experiência gastronômica ao final de cada módulo.

Para a parte prática dos módulos de ensino, Betina conta com a parceria das Chefs Andréa Schein (Déa Macarons) e Roberta Gomes (Lorita Restaurante) e da enóloga Maria Amélia Duarte Flores (Vinho & Arte). As chefs oferecem a experiência gastronômica sempre conectada com o que foi ensinado no módulo correspondente, para que o participante possa provar na prática ensinamentos e teorias que foram abordadas com a ministrante.

Ao todo serão 4 módulos que irão acontecer semanalmente e que são independentes, ou seja, o participante pode se inscrever em uma ou mais etapas, sem obrigatoriedade.

Além destes, acontece em paralelo a oficina de narrativa gastronômica  intitulada “De tinteiros a Caçarolas”. O objetivo principal é trabalhar a escrita gastronômica como prática da atenção plena, com o foco no ato de saborear e de perceber os alimentos para escrever sobre eles e sobre as sensações que evocam. Betina explica que esta é uma forma de ampliar a consciência de si mesmo através do comer. “Degustar, sentir e traduzir essas experiências em palavras é uma forma de auto descobrimento. Do mesmo modo, a leitura de textos literários que envolvem o cozinhar, o comer e o degustar também nos coloca em contato com nossas percepções e memórias, ampliando a leitura de nós mesmos”.

Uma aula especial será realizada na Vinho & Arte, em que o vinho será o foco das atenções; a discussão teórica terá como parte prática as degustações organizadas pela enóloga Maria Amélia Flores.

As inscrições  para as atividades podem ser feitas pelo email bemariante@gmail.com e contam com certificado de participação que pode ser utilizado para horas complementares. A programação completa dos módulos pode ser conferida no blog da pesquisadora  (http://www.serendipityincucina.blogspot.com).

 

Sobre Betina:

Betina Mariante Cardoso é psiquiatra e especialista em Psicoterapia de Orientação Analítica (CELG-2006), também Mestre em Psiquiatria (UFRGS-2008) e Mestre em Teoria da Literatura (PUCRS-2016). Foi durante a dissertação de mestrado cujo tema foi a cozinha como espaço físico e simbólico na literatura brasileira contemporânea que Betina começou a imaginar que poderia trabalhar com o tema em um projeto mais amplo, extrapolando os muros acadêmicos.

O interesse pelo assunto surgiu em 2011, com a leitura de temáticas em  ‘Food Studies’ – como são chamados no exterior os temas que abordam a relação entre cozinha e humanidades. Depois veio a inauguração do Blog ‘Serendipity in Cucina” e do livro “Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras”, em 2012. A pesquisa sobre os sabores e raízes gastronômicas da província de Girona, na Catalunha, desde 2014, também somou conhecimentos para que Betina desse então início ao projeto Cucina in Prosa. Em 2017, a pesquisadora  ingressou como aluna nas atividades do CIAS (Centro Italiano do Analisi Sensoriale), tendo realizado o curso de fundamentos em Análise Sensorial de Vinhos, promovido pela instituição italiana com atividades também em Porto Alegre.